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A revolução delicada do Papa Francisco – o pontífice é capa da Rolling Stone EUA

No Vaticano, “os tempos estão mudando”, como diria Bob Dylan

Redação Publicado em 28/01/2014, às 13h20 - Atualizado às 13h37

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Papa Franscisco - RS EUA - Reprodução
Papa Franscisco - RS EUA - Reprodução

Sarah Palin [integrante do Partido Republicano, apresentadora e comentarista política na TV] descreveu o Papa Francisco como "meio liberal". Rush Limbaugh [apresentador de rádio e comentarista político] já chegou a usar a expressão "puro Marxismo" para descrever a ideia do pontífice de que a “cultura da prosperidade” moderna amorteceu as pessoas em relação à miséria dos pobres. E muitos outros conservadores questionaram os comentários dele a respeito de padres homossexuais – "Quem sou eu para julgar?" Então, quem é o Papa Francisco?

A Rolling Stone EUA mandou o editor contribuinte Mark Binelli para o Vaticano para pintar um retrato de Sua Santidade, um homem que nasceu como Jorge Mario Bergoglio, há 77 anos, em Buenos Aires, para a matéria de capa da mais nova edição da revista. O que ele descobriu é que o Papa Francisco está fazendo mudanças notáveis na tradição do Vaticano, encarando questões políticas de frente e apresentando uma atitude mais inclusiva perante os direitos humanos – e que os católicos estão gostando disso.

Em menos de um ano de papado, o Papa Francisco fez muito para se diferenciar dos anteriores e se estabelecer como um papa do povo. Ele optou por não morar no palácio papal, mas sim ficar na casa de visitas do Vaticano, ficando livre do isolamento imposto ao clero do Vaticano. Ele optou por circular pelo país em um Ford Focus, em vez de usar uma limusine com motorista. Ele paga as próprias contas de hospedagem e mantém seus compromissos. E, quando Binelli esteve na Itália, disse a uma congregação que estava enfrentando uma tempestade que gostaria de poder estar lá com eles. “E parecia que ele realmente estava sentindo isso”, disse Binelli.

Uma pessoa dentro do Vaticano comentou a forma como Francis escolheu privacidade e independência, diferente de seus antecessores. "João Paulo II e Bento tinham um grupo próprio lá, então, isso é muito desconcertante para as pessoas que estão lá dentro”, ele disse à Rolling Stone EUA. "Será que Francisco tem uma sala de guerra? Não, provavelmente não. Mas com quem será que ele conversa ali? Ninguém sabe de verdade.”

Além de oferecer um ponto de vista mais amigável, em comparação a Bento XVI – seu antecessor, que foi o primeiro Papa a deixar o cargo em 700 anos, tinha uma visão bem menos flexível a respeito da homossexualidade e refutou as acusações de pedofilia feitas aos padres – o Papa Francisco começou a investigar possíveis corrupções dentro da igreja. Ele explorou maneiras de lidar com o problema da pedofilia, analisando possibilidades para tomar uma atitude e ajudar as vítimas.

"Francisco já está mudando a igreja de verdade por meio de suas e gestos simbólicos”, disse o Padre Thomas J. Reece, um analista sênior do veículo de tendência esquerdista National Catholic Reporter. "Ele poderia ficar sentado no escritório, estudando o cânone, e começar a mudar leis e regulamentações. Mas não é isso que as pessoas querem que ele faça.”

Desde a eleição papal, a frequência em eventos papais no Vaticano triplicou, chegando a 6,6 milhões de pessoas, segundo Binelli. Depois de conversar com especialistas no Vaticano e diante de uma biografia que mostra o quanto o Papa passou por dificuldades, antes de surgir como o favorito ao cargo, a Rolling Stone EUA apresenta o Papa como um homem ligado às tradições religiosas, por um lado, mas lutando para levar a igreja para uma nova era. Conforme a imagem da capa sugere, na frase que faz referência ao disco/música de Bob Dylan, “os tempos estão mudando”.