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O Terno revela primeiros detalhes do novo disco e duas participações internacionais

Rolling Stone Brasil adianta informações sobre o álbum <atrás/além>, que será lançado em 23 de abril

Pedro Antunes Publicado em 28/03/2019, às 13h00

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O Terno é formado por Guilherme D'Almeida, Gabriel Basile e Tim Bernardes (Foto: Biel Basile)
O Terno é formado por Guilherme D'Almeida, Gabriel Basile e Tim Bernardes (Foto: Biel Basile)

Em 2016, O Terno soltou o terceiro disco deles, Melhor do Que Parece. No ano seguinte, foi a vez de Tim Bernardes, vocalista, guitarrista e compositor do trio lançar sua empreitada solo com Recomeçar. Eram dois discos complementares, como yin-yang, a solar melancolia do primeiro com a tristeza transformada pela alvorada do segundo.

Chega a hora d'O Terno viver o "dia seguinte" desse ciclo com um novo álbum. A Rolling Stone Brasil traz, com exclusividade, as primeiras informações de <atrás/além>, o quarto disco de Tim, Guilherme D'Almeida e Gabriel Basile, a ser lançado em 23 de abril. 

A começar pelas duas participações internacionais do disco, que dividem os vocais de Tim na música "Volta e Meia", canção que será o o último single a ser lançado antes da chegada do álbum. A faixa estará disponível no dia 16 de abril.

São elas: o norte-americano com ascendência venezuelana Devendra Banhart e o icônico artista japonês Shintaro Sakamoto.

+++ O Terno encerra ciclo de Melhor do Que Parece e dá dicas sobre o novo disco

Participações de vozes em um disco d'O Terno nunca fez parte dos planos do trio, tudo figurava em um ambiente mais onírico, aquele dos desejos inalcançáveis. Ainda era preciso descobrir como fazer isso de forma orgânica, sem soar descolado da realidade, afinal. E assim aconteceu, eles explicam.

Devendra (em foto abaixo), por exemplo, se aproximou dos músicos paulistanos quando O Terno fez o show de abertura da noite encabeçada por ele, em São Paulo, em setembro de 2017.

Naquele mesmo ano, O Terno foi até Colônia, na Alemanha, como atração do Week End Fest, realizado no final de outubro. Devendra também estava escalado, tal qual Shintaro.

"É uma doidera", brinca Tim. "Já éramos fãs do Devendra antes de conhecê-lo pessoalmente. Ele nos disse que era gostava dos nossos clipes, das nossas músicas. E o reencontramos na Alemanha."

"No festival lá, tocamos nós, Devendra e o Shintaro. Estávamos ouvindo o disco dele [artista japonês] e achando o máximo que veríamos ele ao vivo pela primeira vez. Descobrimos que eles [Devendra e Shintaro] eram fãs um do outro."

Depois do festival, continuaram todos em contato. "Sentimos a vontade de fazer um convite, sem que fosse uma forçação de barra", explica Tim, "uma vez que todos gostavam dos sons dos outros."

"Volta e Meia" traz um espaço para um discurso, que será feito pelo japonês (imagem abaixo) na sua própria língua. "Pra gente, isso foi ainda mais legal e curioso", conta Tim. "E o Devendra pode cantar em espanhol. Imaginamos uma coisa e ela realmente rolou, embora parecesse muito fora do nosso alcance."

Tim descreve a música como uma canção com muitos símbolos e significados. Entre eles, uma brincadeira com "Volta", uma das faixas que mais pega os corações desavisados de Melhor do que Parece.

"O mais interessante dizer sobre ela é que o arranjo se dá numa síntese dos nossos estilos variados de um jeito que nunca tínhamos explorado", conta. Ela traz sintetizadores "de bandas indie", violão tranquilo "numa onda 'Brasil dos anos 1960'" uma bateria eletrônica "que poderia estar no disco do Drake".

Ele completa: "Deu para misturar influências diferentes nessa música sem soar uma coisa doida. De alguma forma, a sonoridade dessa música é uma síntese do que é legal".

Conceitualmente, ainda com base nas primeiras impressões dos artistas sobre a própria obra, <atrás/além> parece ser o pós-ciclo de Melhor do que Parece e Recomeçar. Como se a melancolia e a alegria que se entrelaçam nos dois álbuns ganhasse um outro significado agora.

"Tem um significado abstrado", explica, sobre o título. A grafia, conta Tim, brinca com a poesia concretista, o que contextualiza a influência da Tropicália, com uma linguagem de HTML, para sinalizar uma questão millennial.

"O conteúdo, mesmo, de <atrás/além>, tem a ver com aquele momento de olhar para o passado e ver como você se formou como ser humano até aqui. E se ver diante dessa bifurcação, de frente para um novo muro a ser ultrapassado", explica Tim.

O discurso do músico vai encontro com a ideia do fim de um ciclo bem-sucedido d'O Terno, com qual ampliaram o alcance nas redes sociais, estrearam na TV Globo, voltaram ao Lollapalooza com destaque, acumularam shows na gringa, ganharam protagonismo local e, principalmente, amadureceram com a chegada (ou aproximação, no caso do Tim) dos 30 anos.

Agora, estão diante de outro momento: "É um salto pra essa novidade misteriosa", diz Tim Bernardes.

No dia 2 de abril, a Rolling Stone Brasil soltará, também em primeira mão, o primeiro single de <atrás/além>, com uma vídeo-arte.  


<atrás/além>, novo disco da banda O Terno será lançado no dia 23 de abril. A versão em LP duplo e especial está disponível para pré-venda aqui.