Rolling Stone Brasil
Busca
Facebook Rolling Stone BrasilTwitter Rolling Stone BrasilInstagram Rolling Stone BrasilSpotify Rolling Stone BrasilYoutube Rolling Stone BrasilTiktok Rolling Stone Brasil

Ron Wood

O guitarrista fala do futuro dos Rolling Stones, sobre ficar sóbrio e o novo CD solo

Por Austin Scaggs Publicado em 25/11/2010, às 17h28

WhatsAppFacebookTwitterFlipboardGmail
<b>PRONTO E DISPOSTO</b> Enquanto se aventura na carreira solo, Ron Wood já pensa na volta dos Stones - Eamonn Mccormack/Getty Images
<b>PRONTO E DISPOSTO</b> Enquanto se aventura na carreira solo, Ron Wood já pensa na volta dos Stones - Eamonn Mccormack/Getty Images

Embora os Rolling Stones estejam passando por um hiato nos últimos três anos, Ron Wood tem aparecido nas manchetes - mas não por seu talento como guitarrista. "Eu estava sendo seguido pela imprensa em todo lugar", ele diz sobre os paparazzi. "Ainda estou." No verão de 2008, deixou a mulher com quem era casado havia duas décadas para ficar com uma jovem russa (que logo aproveitou a breve fama para participar do reality show Celebrity Big Brother). Mas, depois de uma separação dramática em dezembro último, Wood redirecionou sua energia para a música, a pintura e para manter-se longe das drogas e do álcool. "Depois que saí de casa, por volta do Natal, me vi em Los Angeles e meu amigo Steve Bing disse: 'As pessoas querem ouvir você tocar, cara'." Assim, em pouco tempo, Ron Wood estava em estúdio com Slash, Flea (Red Hot Chili Peppers), Ivan Neville e Jim Keltner, gravando uma versão funkeada de "Spoonful", clássico de Willie Dixon. "Serviu para quebrar o gelo", conta o músico, que acabou de lancer um álbum solo, I Feel Like Playing. "De certa forma, este álbum marcou o fim de um capítulo e o começo de um novo", conta Wood, 63 anos.

Por um tempo tudo pareceu sombrio em sua vida: divórcio, rumores de que você estava falido e bebendo muito.

Sou um geminiano nômade. Passei toda a minha vida acostumado a estar quebrado em um minuto e nadando em dinheiro no outro. Nunca prestei muita atenção na minha riqueza ou falta dela, mas sempre soube que ia conseguir passar por isso. Levo a vida com mais responsabilidade agora, sou mais centrado.

Durante seus altos e baixos, você sempre se manteve bastante produtivo.

Acho que foi o que me salvou. Quando não estou enchendo a cara, tenho uma energia natural. Sou absolutamente incontrolável e ativo. Eu costumava ficar doidão e era legal, mas não preciso mais dessas drogas ou do poder falso que o álcool me dava. Estava me atrapalhando, e eu estava ficando amargo e mudado, dizendo coisas que não vinham de mim.

Há muita gente incrível no seu disco: Flea, Billy Gibbons (ZZ Top), Slash, Eddie Vedder (Pearl Jam)...

Slash estava gravando perto de onde eu estava, em L.A., e se ofereceu para passar a qualquer hora - minha conexão com ele é espontânea, como a que tenho com Keith Richards. Falamos um com o outro por meio de nossas guitarras. Com Eddie Vedder eu apenas trombei no Havaí, e ele disse: "Vamos compor". Ele é realmente muito bom com as palavras.

Você tem um solo de guitarra matador em "I Don't Think So".

Era o som da minha guitarra Fender com alavanca. Fazer os takes de guitarra no estúdio é como as preliminares no sexo, com o eventual orgasmo. Quando você sabe que acertou, olha para o engenheiro e diz: "Pegou isso?" E, quando ele diz que sim, é um sentimento incrível.

Deve haver uma fração de segundo de dúvida antes de o engenheiro dizer que conseguiu gravar.

Ah, sim! Já tive engenheiros no passado que disseram: "Não. Não gravei essa". É o pior sentimento do mundo. O melhor é quando o engenheiro vai às lágrimas - é a cereja do bolo.

Você tocou com muitos dos grandes nomes em todos estes anos - algum show que se destaque?

Quando John Lee Hooker tocou com a gente [os Rolling Stones], em 1989, não tínhamos a menor ideia de em qual acorde ele estava tocando. Ele olhava para a gente e dizia: "Em qual acorde?!" Ele também não tinha ideia. Finalmente, depois de uma música na segunda noite, ele disse: "Mi". E eu berrei para a banda: "Caras, ele nos deu uma pista! Está em Mi!"

Os Rolling Stones normalmente fazem turnês a cada três anos, com a precisão de um relógio. Bem, já se passaram três anos.

É, estamos para ter nossa reunião de cúpula, em que todos nós nos sentamos à mesa e falamos bobagem. É muito divertido juntar todos os rapazes. Todo mundo já está se coçando. Saberemos de algo em dezembro.

Como vai indo a volta do Faces (sem Rod Stewart, que não quis se juntar aos ex-companheiros)?

Está ótima. Mick Hucknall [ex-Simply Red] está cantando como Rod costumava cantar nos anos 70. As músicas se encaixaram como se o tempo não tivesse passado. Talvez façamos algo em janeiro. Então, enquanto os Stones estão em segundo plano, vou me manter afiado. Tenho de manter meus dedos calejados.

Uma turnê com os Rolling Stones destrói a ponta dos seus dedos?

Ah, sim. Você normalmente acaba com elas durante os ensaios e passa a turnê se recuperando. Mergulhar seus dedos em vinagre ajuda.

Achava que cola instantânea era melhor.

Cola rápida é coisa para mulher [risos]. Álcool puro é o melhor meio enrijecedor, com o vinagre de malte vindo logo em segundo. Se eu usasse álcool, ia acabar bebendo aquela porra toda.