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Lemmy: minha vida em 10 canções do Motörhead

Redação Publicado em 29/12/2015, às 00h41 - Atualizado às 00h41

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Galeria - Lemmy em 10 músicas - abre - Frank May/AP
Galeria - Lemmy em 10 músicas - abre - Frank May/AP

Há 40 anos, o Motörhead é uma das bandas mais autênticas do rock and roll. Enquanto os colegas do mestre Lemmy Kilmister se acalmaram, ficaram sóbrios e deram adeus aos vícios dionisíacos, o baixista e cantor de voz rasgada – que se aproxima dos 70 anos de idade – continua a beber, apostar e torturar os ouvidos dos fãs com decibéis perigosamente altos nos shows.



A seguir, veja dez músicas do Motörhead que definem a vida de Lemmy – comentadas por ele mesmo.



Por Kory Grow


“Motörhead”, lançada no lado B de “Kings of Speed” (1975, do Hawkwind) e em Motörhead (1977)



Compus quando eu estava no Hawkwind. Estávamos no estúdio fazendo o último disco da banda em que eu participei, Warrior on the Edge of Time. Começamos a tocar, foi gravado, e colocamos no lado B de “Kings of Speed”.



A música era baseada na velocidade e isso era um problema para o Hawkwind – e é por isso que fui demitido. Nunca os perguntei o que eles achavam do Motörhead depois daquilo. Não ligava para o que eles pensaram. Não penso em “Motörhead” como uma canção definidora, entretanto. Essa música se foi há muito tempo para mim.


“White Line Fever”, lançada em Motörhead (1977)



Essa foi a primeira que eu compus para o Motörhead. Só fi-la porque não tínhamos material suficiente para o álbum. Fiquei bem impressionado comigo mesmo. Colocamos no lado B de “Leaving Here”. Naquela época, você não colocava faixas que queria no disco no lado B – tinha que ser especial para interessar as pessoas –, mas pusemos no álbum Motörhead, de qualquer forma.



Não é sobre cocaína, especificamente. É sobre relacionamentos de garotos e garotas: o cara pula na merda. É sobre ser destruído, zoado, fodido. Nunca teria composto música de outra maneira.


“Overkill”, lançada em Overkill (1979)



Phil [Taylor] apareceu com o riff de bateria, a coisa do tempo dobrado, e então nós nos encaixamos com o baixo. Sempre fizemos muito esse tipo de coisa. Tocamos ela no Top of the Pops. Era bom tocá-la para o público, mas a coisa é que aquele programa sempre foi popular. Acho que a plateia na ocasião gostou, mas quando mandavam eles dançar, eles dançavam, então não sei se é verdade que eles gostaram.



Eles pararam de fazer aquele programa, e eu não sinto muita falta. Sei que muitas bandas de metal fizeram covers de “Overkill”, mas não penso muito na nossa influência. Somos apenas mais velhos [risadas]. É bom ser homenageado, mas não é o fim do mundo para mim. Estamos ocupados compondo novas músicas.


“Ace Of Spades”, lançada em Ace Of Spades (1980)



Ela continua muito popular. Quando tocamos no palco, todo mundo ama. Mas quando eu compus, estávamos apenas fazendo um álbum. É apenas mais uma porra de uma música. Achei que ela era bastante boa, mas não achava que era tão boa. Então não tenho lembranças especiais de escrevê-la. Ela tem uma “parte de sapateado”, sabe, o solo de Phil [Taylor]. Quando ele chamou-o disso, houve um grande debate: “Vamos deixá-lo ou tirá-lo?” E então, resolvemos deixar. Fiquei surpreso quando a música saiu. Não é melhor do que todas as outras.



Apostei bastante antigamente, mas não tenho boas histórias em apostas – tenho várias histórias ruins. Perdi muito dinheiro. Eu morava na região praiana do País de Gales, e era lá que estava tudo: havia uma máquina de apostas no café local. E eles tinham uma jukebox na mesma época, então estava tudo pronto. Não sou um jogador de pôquer; jogo máquinas caça-níqueis. Jogo desde que tenho uns 18 anos. Não confio em nenhuma forma de apostas com pessoas envolvidas; prefiro as máquinas.


“Stand by Your Man”, lançada no EP Stand by Your Man (1982)



Não compus essa, mas fizemos com Wendy O. Williams. Wendy era uma garota problemática. Ela estava por todo canto. Foi meio esquisito de maneira geral, mas demos nosso melhor. Não era fácil trabalhar com ela no estúdio.



Depois dedicamos “No Class” para ela, porque ela não tinha classe nenhuma [risos]. Ela era muito boa na cama.


“Hellraiser”, lançada em March ör Die (1992)



Quando eu estava compondo com Ozzy Osbourne [no disco No More Tears], o empresário dele mandou-me uma fita, eu coloquei-a e era ele gritando [imitando Ozzy] “Aaaeeeaaeeeaah”. Então você tem que descobrir palavras que se encaixem.



Demorou 10 minutos, acho. Fizemos “Hellraiser” num instante. O único problema foi ter que reduzir a velocidade para eu alcançar algumas notas, e depois aceleramos novamente. É por isso que aquilo soa devagar. Não sei se Ozzy gostou da minha versão da canção. Ele nunca disse.


“Broken”, lançada em Overnight Sensation (1996)



É uma canção incomum, em relação aos acordes e o ritmo. Gosto dela porque não é algo que fazemos normalmente. E o refrão diz: “Broken, broken, truth must be spoken/Too late to be virgins, too early to be whores”. É uma música para ninguém.


“In the Black”, lançada em Inferno (2004)



Compus essa música para reatar com minha namorada negra. Ron Jeremy nos apresentou, e isso é legal. Ficamos indo e voltando por 20 anos. Ainda continuamos tentando fazer isso dar certo. Ela não sai em turnês conosco, não permito isso. Sequer disse a ela que foi sobre ela quando compus. Ela continua sem saber.


“The Thousand Names of God”, lançada em Motörizer (2008)



Essa se destaca para mim porque eu gosto do ritmo. Não há ritmo que Mikkey não consiga tocar. Ele é muito bom. Não é nada com que eu estivesse tentando me desafiar. Eu sei compor canções, tenho feito isso por 40 anos.



É realmente bem simples com o Motörhead. Fizemos tantos discos nos últimos anos. Tem ficado mais fácil com o passar dos anos, desde que nós tornamo-nos um trio novamente, em 1995, mas Phil [Campbell e Dee] está na banda há décadas.


“Thunder & Lightning”, lançada em Bad Magic (2015)



É um pouco de rock and roll, realmente. Este álbum foi bem fácil. Tínhamos bons riffs nos ensaios. A maneira com que as músicas surgem esses dias varia bastante. Às vezes venho com as canções, às vezes eles vêm, e é só: boom, boom, boom.



Vamos afundo em mais ou menos uma semana para juntar nossos riffs, e então entramos no estúdio. Gravamos em duas semanas, o que não é tão mal. Faço minhas letras no estúdio depois de termos a faixa base. Escrever as letras é o mais fácil agora. “Thunder & Lightning” surgiu tranquilamente. 10 minutos.